segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Autora de 27 anos sem editora vende 1,5 milhão de livros na web

Amanda Hocking

Foto:Reprodução

Americana Amanda Hocking conta histórias com seres místicos


ED PILKINGTON
DO “GUARDIAN”


Quando escreverem sobre a transformação digital no mundo dos livros, é quase certo que falarão de Amanda Hocking, escritora de 27 anos que emergiu da obscuridade para o status de best-seller em 18 meses, graças a seus esforços de auto publicação.
Em abril de 2010, ela estava em seu apartamento minúsculo em Austin, Minnesota, sem um tostão e frustrada por ter passado anos tentando fazer com que editoras se interessassem por suas obras.
Sem dinheiro, pegou um dos romances que escreveu em nove anos, todos rejeitados por editoras, e o colocou na Amazon e em outros sites de venda de livros digitais.
Seis meses depois, tinha vendido 150 mil exemplares. Nos últimos 20 meses, vendeu 1,5 milhão de livros. Tudo sozinha.
Hocking foi criada na zona rural de Minnesota. O dinheiro era pouco e não havia TV a cabo com a qual se distrair.
"Por isso lia muito. Acabava com os livros tão rápido que comecei a ler livros adultos, que eram mais compridos."
Aos sete anos, consumia Stephen King, Michael Crichton, J.D. Salinger, Jane Austen, Mark Twain, Jack Kerouac, Kurt Vonnegut.
O que entrava tinha que sair. Ela começou a contar suas próprias histórias ainda criança. Vivia inventando mundos de faz de conta.
O primeiro livro que completou, "Dreams I Can't Remember" (sonhos de que não lembro), foi feito aos 17 anos.
Animada, imprimiu cópias para amigos e familiares, além de enviá-lo para várias editoras. "Recebi cartas de rejeição de todas. Eu não as culpo -o livro não era bom."
Mas ela não desistiu. Foi escrevendo um livro após o outro. "Às vezes eu dizia a mim mesma: 'Chega, nunca mais vou escrever outro livro', mas, dois meses mais tarde tinha outra ideia e começava de novo, pensando que dessa vez não deixaria de funcionar."
Em 2009, mergulhou num frenesi -movido a Red Bull- de escrever à noite. Quando entrava no espírito da coisa, conseguia redigir um romance em duas ou três semanas. Em 2010, já tinha acumulado 17 romances inéditos, todos juntando poeira digital no desktop de seu laptop.
Em fevereiro de 2010, recebeu sua última carta de rejeição. Poucos dias após jogar o livro na rede, já estava vendendo nove exemplares por dia de "My Blood Approves" (meu sangue aprova), sobre vampiros em Minneapolis.
Em maio, postou mais dois livros da série, "Fate" (destino) e "Flutter" (tremor), e vendeu 624 cópias. Em julho, postou "Switched" (trocada).
Em janeiro do ano passado, já estava rendendo mais de US$ 100 mil por mês.
O fato de ser sua própria chefe lhe permitiu definir seus preços: decidiu cobrar US$ 0,99 (R$ 1,73) pelo primeiro livro de cada série, para atrair leitores, e aumentar o preço de cada sequência para US$ 2,99 (R$ 5,21).
Em novembro, entrou no Kindle Million Club, com mais de 1 milhão de livros vendidos. "As coisas foram de zero a 60 da noite para o dia. Todo mundo comprava meus livros. Foi uma coisa avassaladora."
Fechou um contrato de US$ 2,1 milhões (R$ 3,7 milhões) com a americana St. Martin's Press e com a britânica Pan Macmillan para publicar sua próxima leva de livros.
A estreia do contrato é com "Switched", um romance protagonizado por trolls (chamados trylles) que são trocados por bebês humanos.
A série "Watersong", sobre irmãs e sereias, será lançada em agosto. Mais informações estão disponíveis em worldofamandahocking. com.


Tradução de CLARA ALLAIN.
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Sobre a  autora

Amanda Hocking