sexta-feira, 2 de setembro de 2011

[COMEÇOU A 15ª BIENAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO]


Foto Publius Vergilius 
Diversidade e busca pelas novidades marcam o primeiro dia da XV Bienal do Livro Rio

Autores e editores discutem mudanças e oportunidades na era dos livros digitais e a nova produção literária brasileira

O primeiro dia da XV Bienal do Livro Rio foi marcado pelo início dos encontros entre autores e leitores, um ponto forte da maior festa literária do país. Entre os temas debatidos nesta quinta-feira (1) estavam o papel da crítica da nova literatura brasileira, a influência das novas tecnologias na forma de escrever e o encontro da gastronomia com os livros. Nos próximos dez dias, mais de 120 escritores brasileiros e 21 estrangeiros passarão pelos pavilhões do Riocentro, em uma demonstração da diversidade do evento, organizado pelo SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e pela Fagga | GL exhibitions. Em uma edição que põe a literatura do Brasil como a principal homenageada, coube à presidenta Dilma Rousseff abrir oficialmente a Bienal, na primeira vez na história do evento literário em que a inauguração ficou por conta de um presidente da República.
O já tradicional Café Literário foi inaugurado um debate sobre a função da crítica na nova produção literária brasileira, com a participação da escritora Ana Paula Maia, do jornalista, escritor e crítico Paulo Roberto Pires, e da professora de literatura Beatriz Rezende. Durante uma hora, os participantes discutiram a produção feita no país a partir da década de 90, e como a crítica se posiciona diante desse fenômeno.
Pires se referiu ao crítico literário Antônio Cândido para fazer uma análise da classe. “Existem dois aspectos do Antônio Cândido que não são muito lembrados: ele gostava de se arriscar. Resenhou uma autora de apenas 17 anos, Clarice Lispector, quando ela escreveu Perto do coração selvagem. E ele escrevia num português normal, acessível. Hoje, todo mundo fica em cima do muro”. Já Maia, autora da trilogia A saga dos brutos (Editora Record), afirmou que não era possível falar em uma unidade dessa nova literatura, uma vez que há diferenças significativas entre os autores.
Logo em seguida, o espaço recebeu as chefs Flávia Quaresma e Teresa Corção, que falaram sobre gastronomia, suas novas tendências e seu encontro com a literatura. Corção lembrou das poesias de Cora Coralina, ricas em referência sobre a cozinha. Já Quaresma disse ser fã de Clarice Lispector e seus contos. As duas ainda falaram sobre o movimento slow food, que prega uma alimentação de qualidade, e sobre a popularidade dos chefs, elevados à categoria de popstars. No fim, sobrou espaço até para dar uma receita de risoto de camarão para o público presente.
Já o espaço Mulher e Ponto, local de encontro entre escritoras e personalidades do universo literário, foi inaugurado com uma conversa entre Luciana Villas Boas, diretora-geral da editora Record, e Vivian Wyler, gerente-editorial da editora Rocco. As mudanças provocadas pela tecnologia no mercado editorial já tinham sido abordadas mais cedo, na série Encontros Profissionais, pelo vice-presidente da Amazon, David Naggar, em palestra que reuniu profissionais do mercado editorial dispostos a discutir os rumos e as oportunidades que o mercado de livros digitais tem a oferecer.
“A Amazon já vende três vezes mais livros digitais do que impressos nos Estados Unidos e esse número cresce a cada ano. Foram 900 mil apenas este ano, para mais de 150 países. O e-book pode alcançar um número cada vez maior de pessoas”, disse Naggar, que enfatizou a necessidade de tornar as obras cada vez mais acessíveis.
De olho em um mercado cada vez maior e disposta a oferecer literatura nas mais diversas plataformas, a Bienal do Livro Rio tem pela primeira vez um espaço dedicado aos e-books, a Bienal Digital. “A Bienal não pode se fechar para o que existe de novo. Trazer novidades é a nossa missão. Precisamos nos preparar para esse desafio que vem pela frente”, explica Sônia Jardim, a presidente do SNEL. Outro sucesso foi a Maré de Livros, o espaço infantil interativo que, com a curadoria de João Alegria, conquistou a atenção das muitas crianças de passeavam pela Bienal.

Nesta sexta-feira,  a expectativa é de emoção e tietagem explítica. Um dos pontos altos do segundo dia da Bienal é a homenagem programada para Moacyr Scliar. Luiz Schwarz, Luís Fernando Veríssimo, Luís Augusto Fischer e Domício Proença Filho, com mediação de Ítalo Moriconi, homenagearão esse médico, professor, cronista, escritor gaúcho e autor de mais de 70 livros, falecido este ano. O encontro será às 17h, no Café Literário (pavilhão azul).
Outra reunião de destaque está prevista para 18h30, que acontece no espaço Livro em Cena, no pavilhão verde. O ator Eriberto Leão vai abrir a programação em que atores interpretam grandes obras de autores. Eriberto inaugura o evento com Castro Alves, recitando trechos de Vozes d’África, Navio Negreiro, Quando Eu Morrer e Adormecida.
Quem é fã do sobrenatural, da literatura que aborda os limites da fé e da imaginação, terá, às 19h, no Café Literário, a discussão do tema: Magia e verdade do imaginário: por que nos atraem vampiros e bruxas. Na abordagem desse segmento literário, estão a americana Deborah Harkness e a historiadora Mary Del Priore, com mediação de Guiomar de Grammont.
Às 20h, no espaço Mulher e Ponto, no pavilhão verde, Claudia Nina e Simone Campos falarão sobre As Autoras e as Redes Sociais, que analisam, com mediação de Tânia Carvalho, o surgimento de obras que têm como ponto de partida as mídias sociais como Facebook, Orkut, Twitter e outras redes, além da influência das novas tecnologias na forma de escrever. Paralelamente à programação oficial, os expositores programaram sessões de autógrafos, aproximando cada vez mais  os autores de seu público. As sessões acabam às 20h.
A 15ª Bienal do Livro Rio, uma iniciativa do SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) em parceria com a Fagga | GL exhibtions, acontece no Riocentro entre 1º e 11 de setembro de 2011.

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