sexta-feira, 17 de junho de 2011

["Ulisses" de James Joyce pode ser lido no Twitter ]

                                                                              James Joyce em 1915

No dia de James Joyce o que para Portugal foi um dia normal, na Irlanda foi dedicado à literatura. O conhecido Bloomsday, uma comemoração anual de homenagem ao clássico “Ulisses” de James Joyce esteve nos Trend Topics do twitter. (um dos assuntos mais comentados do dia). 

À exceção da religião que celebra a bíblia, este é único dia no mundo dedicado apenas a um livro literário. É neste dia, que nas ruas de Dublin respira literatura, onde são promovidos vários encontros de leitura e onde são lidos em público vários trechos da obra. Na verdade, é em Dublin que tudo acontece. “Ulisses” retrata um dia na cidade irlandesa, mais precisamente o dia 16 de Junho de 1904, na vida de Leopold Bloom, um homem comum que carrega em si um turbilhão de pensamentos e sentimentos. 

Durante décadas, os amantes de Joyce juntavam-se, à boa maneira irlandesa nos típicos pubs acompanhados de uma Guiness, em grandes maratonas de leituras da obra. Este ano, quiseram inovar, juntaram-se às novas tecnologias e “Ulisses” será também celebrado no Twitter.

A ideia partiu de Stephen Cole, um aficionado de James Joyce, que em conjunto com um grupo voluntario do entusiasta vai transformar o livro de 800 páginas em pequenas mensagens de 140 caracteres no Twitter. Para este projeto, Stephen Cole organizou o “Ulysses Meets Twitter”, dividindo a obra em 96 seções, uma para cada voluntário que ficou encarregado de publicar em pequenas mensagens a cada 15 minutos do dia, permitindo que ao longo das 24 horas a obra chegasse aos internautas.

“Aquilo que eu escolhi tentar fazer foi escolher as palavras e frases que as pessoas mais gostam”, disse Cole, explicando que não significa que a narrativa de Joyce se perca. “Queremos pôr colocar bastante da sua narrativa, passando o sentido de onde é que ele está e o que vai fazer.”

O mentor da ideia, explicou que a forma como os trechos forão publicados no Twitter será da  responsabilidade de cada voluntário. “Poderão usar exatamente as mesmas palavras ou não.”

Se por vezes a história não fizer sentido, Stephen Cole garante que é normal e não há problema. “Joyce também não tinha muito conteúdo no livro que permitisse ao leitor saber o que acontecia. O Twitter funciona assim. Está dividido em pequenos pedaços e é difícil uní-los. Mas grande parte de “Ulisses” foi escrita desta forma”, atesta.

No entanto, Stephen Cole assume que se James Joyce fosse vivo, talvez não gostasse desta ideia. “Eu acho que ele gostou mesmo mesmo do que escreveu em cada página de “Ulisses”. Uma adaptação disso, que é o que estamos a fazer, ele provavelmente não entenderia porquê.”

 

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