quinta-feira, 29 de julho de 2010

[Meio Sol Amarelo, de Chimamanda Ngozi Adichie]

imagecapa meio sol amarelo
     

          Capa da edição original (ASA, Portugal) e da edição brasileira (Cia das Letras)

“Meio Sol Amarelo”, romance editado pela ASA que venceu o Orange Prize em 2007, pode parecer, à partida, uma obra sem grandes argumentos para conquistar os leitores portugueses. A autora, nigeriana, não só é desconhecida do público português como tem um nome estranho: Chimamanda Ngozi Adichie. Ela entrelaça as vidas de cinco personagens. Todos são forçados a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição. Todos vão assistir ao desmoronar da realidade tal como a conheciam devido a uma guerra que tudo transformará irremediavelmente

A história decorre no Biafra, nação africana que já não existe e que surge inevitavelmente associada à fome e à guerra – entre 1967 e 1970 tentou sem sucesso separar-se da Nigéria. Só conquistou guerra, morte, fome e desilusão. Nem todoas as devoradoras gostam de histórias catastróficas, tristes e pode até questionar: Porquê ler este livro? Eu diria, que antes de mais, porque é bom, é muito bom. Ele transmite uma paixão em seus relatos, e este sentimento é transmitido com perfeição ao leitor. Independentemente do tema, o que leremos é uma ótima história (ou histórias), e muito bem contadas, com paixão mas sem drama exagerados, mesmo que a envolvência pudesse levar a que fosse percorrido esse caminho. Foi escrito de forma simples, sem muitos floreados, como o tema impõe.

“Meio Sol Amarelo”
é, assim, uma boa mistura de drama familiar com retrato de um período da história. Um romance sim, que tem uma estrutura original como um ‘passeio’ pelo tempo. Começa no ponto “A” e vai para ponto “B” e retorna ao ponto “A” para de novo voltar a “B”, permitindo estas deslocações temporais uma melhor compreensão da complexidade da trama e da própria personalidade das personagens. 

“Meio Sol Amarelo”, apesar de ser um retrato de uma guerra, é também (ou principalmente) um excelente retrato de pessoas e o modo como muitos tentam ter um quotidiano ao qual se agarrar para conseguirem manter a estabilidade mental é retratado na perfeição neste romance.  Chimamanda conseguiu o que queria: transformou as estatísticas da morte em histórias de vida recuperando do esquecimento uma tragédia que marcou uma época.


Sobre a autora, Chimamanda Ngozi Adichie

Nasceu em Enugu, Nigéria, em 1977. Muitas vezes premiada e anunciada como a nova voz da literatura nigeriana, vem sendo comparada a autores do porte de V. S. Naipaul, Chinua Achebe e Nadine Gordimer.

Editora Companhia das Letras
Folheando_504 páginas
Preço_R$ 58,50 

Um comentário:

  1. Olá, acabei de descobrir o seu blog e achei uma ótima surpresa!
    Não li nada ainda dessa autora, mas recentemente assisti a um vídeo em que ela discorre sobre "O perigo de uma história única", conhece?

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